Temos Diácono! Entrevista ao Jornal Reconquista

23-06-2017

Miguel Coelho tem 37 anos e foi há sete que disse "presente" ao chamamento de Deus, estando atualmente estagiar na zona de Alcains, enquanto aluno do Seminário Maior dos Olivais, em Lisboa. Tendo em vista a ordenação sacerdotal, recebeu sábado, dia 17 de junho, na Sé Cocatedral da Castelo Branco, o grau da Ordem Diaconal, numa cerimónia presidida pelo bispo diocesano, D. Antonino Dias, e enriquecida pelo grupo coral do Seminário Maior dos Olivais, formado por colegas de estudo e jornada. O cerimonial contou ainda com a presença do bispo emérito, D. Augusto César, e grande parte dos presbíteros da Diocese, além da família, amigos e outros fiéis, que quiseram testemunhar e partilhar com Migue Coelho mais este passo na sua vida consagrada.

No final da eucaristia, ao Reconquista, Miguel Coelho explicou que "o mundo que temos hoje e a sociedade que temos não é 100 por cento eficaz, não nos dá o que necessitamos, pelo que o caminhar com Deus é essencial à nossa vida". Esta é uma vivência que, além de a sentir ao longo da sua vida, a tem testemunhado com outros. "A seara é grande e os operários são poucos, é verdade, mas a sociedade também não dá outras alternativas", reitera, lamentando que "a religião esteja cada vez mais esquecida e os jovens cada vez mais afastados, procurando outros ideais, outros estilos de vida. Procuram o que é mais fácil, porque esta entrega a Deus também carece de responsabilidade, trabalho e firmeza no caminho". Este passo, mais do que um objetivo pessoal "é sinal de esperança e testemunho. Tenho dado esse sinal nas pastorais que temos feito. Estudamos em Lisboa e aos fins de semana estamos em paróquias e é isso que tentamos mostrar, que a igreja é uma coisa boa e tem tudo de bom para oferecer. Só é preciso é que a gente agarre essa motivação e a compreenda". Pegando no seu exemplo, Miguel Coelho lembra que entrou no Seminário com 30 anos. "Inicialmente achei que era impossível, mas hoje, passados sete anos, chego aqui e vejo que nada é impossível e quando queremos e sentimos que Deus nos chama tudo é possível e tudo acontece".

Segundo a liturgia, "fortalecidos com a graça sacramental, servem o povo de Deus, em união com o bispo e o seu presbitério, no ministério da liturgia, da palavra e da caridade". E foi a essa missão que Miguel Coelho respondeu afirmativamente no rito da ordenação. Durante a sua homilia, D. Antonino Dias regozijou-se com esta ordenação, pois como dizia a palavra do dia, "a seara é grande e os trabalhadores são poucos", lembrando que nos nove anos que está à frente dos destinos da Diocese ordenou um padre, mas foi ao funeral de mais de 30 padres, o que considera ser "um motivo de reflexão para a Igreja". O bispo diocesano referiu ainda que "cada diácono ou presbítero recebe o dom de Deus e recebe a aprovação não só pelas suas qualidades pessoais, mas também porque aceita as normas e as condições que a Igreja impõe", dai ser "uma atitude responsável e livre a de comparecer ao convite do Senhor a caminhar para o presbiterado".

TESTEMUNHO Sendo Miguel Coelho um discípulo de Cristo, "chamado a servir", deve "ser sempre seu mensageiro", numa Igreja que, segundo D. Antonino Dias, tem sentido perseguições. Mesmo em termos de Diocese, "muitas vezes paro para pensar que não somos administradores de uma qualquer associação, mas sim mensageiros de Deus". E é nessa premissa que tem de se manter o foco.

No fina da celebração, D. Antonino Dias, reiterou a sua satisfação por este jovem que entrou nas fileiras de trabalhadores da grande seara. Mas para aumentar este número, reconhece que "falta que os jovens estejam disponíveis para ouvir o espírito, que vai falando e, ao ouvirmos, vamos descobrindo a vontade de Deus. Hoje pensa-se pouco nisso, pelo facto de vivermos a fé um pouco à superfície, o que não permite às pessoas parar para refletir sobre esses caminhos, que fazem falta à Igreja e à sociedade". E se por um lado "as pessoas reconhecem que não têm formação", por outro "também não querem muita formação e vivem a vida espiritual de levezinho", quando "hoje é preciso fé e uma fé alicerçada na palava do Senhor e na consciência do que é a Igreja". D. Antonino alerta ainda para "uma certa confusão que se gera com o tratamento superficial, por exemplo, dos temas fraturantes. Esses existem e vão continuar sempre a existir, mas os cristãos têm de viver a sua fé com alegria, fazer a diferença e não se deixar levar na onda".

Miguel Coelho foi ordenado diácono dia 17 de junho, na Sé Cocatedral de Castelo Branco, mas dois dias antes, a 15 de junho, André Beato, de Nisa, também do Seminário dos Olivais, foi instituído no ministério de acólito, na Sé de Portalegre.